Região Serrana do RJ tem duas moradoras reconhecidas como semi-supercentenárias
Casos foram validados por organização internacional de estudos da longevidade; uma das idosas participou de pesquisa da USP.
Por: Nathalia Rebello, g1
Publicado em: 03/02/2026
A Região Serrana do Rio de Janeiro ganhou destaque em pesquisas sobre envelhecimento humano após dois moradores serem reconhecidos como semi-supercentenários. Os dois casos foram validados pela LongeviQuest, instituição internacional que estabelece critérios científicos para o estudo da longevidade.
Entre os reconhecidos está Dona Conceição, que, além do título, integrou uma pesquisa conduzida pelo Centro de Estudos do Genoma Humano e Células-Tronco da Universidade de São Paulo (USP), voltada à investigação dos fatores genéticos e biológicos relacionados ao envelhecimento saudável.
Nascida em Itaocara e morando atualmente em Cordeiro, Conceição da Silva Felizardo, de 108 anos, é uma das participantes do Projeto DNA Longevo e hoje é o grande orgulho da família.
Pela idade avançada, ela utiliza cadeira de rodas para se locomover e possui sérios problemas de visão, fazendo com que a família ajude na rotina dela em todos os cuidados básicos, como banho e alimentação.
Entre seus principais hábitos, antes de suas comorbidades, a centenária costumava cuidar das suas plantas com muito zelo, caminhar toda manhã e esfregar panos, visto que passou parte de sua vida lavando roupas para fora.
Além de Dona Conceição, outras duas supercentenárias e uma semi-supercentenária na Região Serrana do Rio de Janeiro foram validadas pela organização:
- Noêmia Vieira de Souza, de 111 anos moradora de Duas Barras, já falecida
- Artelina Tinoco Alves, de 110 anos, moradora de Nova Friburgo, que participou da pesquisa do Centro de Estudos do Genoma Humano e Células-Tronco da Universidade de São Paulo antes do seu falecimento.
- Cecy Machado Lima, moradora de Nova Friburgo, de 108 anos, já falecida.
Quem encontra os supercentenários?
A LongeviQuest é uma organização americana dedicada ao estudo e à validação da longevidade humana. Referência no assunto, é a maior autoridade mundial no que se refere a pessoas semi-supercentenárias (108 ou 109 anos) e supercentenárias (110 anos ou mais).
O processo consiste em identificar, documentar e validar a idade dessas pessoas por meio de pesquisa histórica e análise de documentos oficiais, além de divulgar esses dados de forma científica e responsável.
Região Serrana dos centenários
Segundo Iara Souza, pesquisadora da LongeviQuest no Brasil, a genética parece ser o principal fator para determinar se um indivíduo viverá mais de 100 anos. No entanto, a presença de centenários, semi-supercentenários e até supercentenários na Região Serrana é bastante significativa, especialmente considerando o tamanho da população local.
“Isso pode estar relacionado a vários fatores, como estilo de vida mais tranquilo, alimentação mais simples e natural, laços sociais fortes, fé e espiritualidade, menor exposição a grandes centros urbanos e, em muitos casos, histórico de trabalho ativo ao longo da vida. Além disso, fatores ambientais e culturais também parecem contribuir positivamente para essa longevidade, tornando a região um ponto de grande interesse para estudos sobre envelhecimento saudável.”, explicou a representante da Longeviquest.
“Sabemos que existem outros semi-supercentenários e supercentenários na região que ainda não conseguimos validar, o que indica que esses números podem ser ainda mais expressivos. Isso reforça a importância de ampliar as pesquisas históricas e documentais, para que mais casos possam ser confirmados e incluídos nos estudos científicos sobre longevidade no Brasil.”
108 anos de vida
Dona Cecy nasceu em Santa Maria Madalena em 18/07/1917 e morreu neste domingo (1º), sendo a última semi-supercentenária da cidade, ela cuidou de oito filhos, 32 netos, 23 bisnetos e uma tataraneta. Sempre ativa e rigorosa na educação, exerceu a função de Agente Fiscal e conseguiu ver todos os filhos se formarem: quatro professoras, um dentista, um médico , um veterinário e um agente fiscal.
Ranulfo Lima, explia que a convivência com a mãe até os 100 anos foi a fase mais maravilhosa da família, até que ela perdeu progressivamente a memória, e passou a viver acamada.
“Não há dúvida que sua longevidade se explica, pelo convívio diário com os filhos e amigos e o café da tarde, realizado em sua cozinha, todos os dias da sua vida. Ela ter sido reconhecida por uma organização de longevidade foi a certeza que tivemos a oportunidade de conviver com a pessoa mais maravilhosa que conhecemos. Temos a certeza que foi o melhor presente de Deus”, disse Ranulfo ao g1.
Seus passatempos eram palavras cruzadas, aconselhar a família e falar do seu tempo nas fazendas que viveu. Ranulfo fala com orgulho de tudo que ouviu de sua mãe e do que viveu na família criada por ela e seu marido, já falecido, Milton de Souza Lima:
“Os melhores ensinamentos que minha mãe deixou foi: a humildade, a cultura, a honestidade e a fé Cristã. Se pudesse deixar uma mensagem diria que a família é o bem mais precioso da nossa vida. Nunca abandone um amigo e invista sua riqueza, no apoio à cultura de todos aqueles que um dia você julgar necessário.”

