Primeiro debate ao governo do Rio é marcado por críticas a Eduardo Paes

Ex-Prefeito do Rio não esteve no encontro e virou alvo dos adversários


Por: Redação

*Com informações do Tempo Real

Publicado em: 10/08/2026

Debate da Band aconteceu na Casa Firjan, em Botafogo.

Foto: Lucas Figueiredo / Band

Na noite deste domingo (9), quatro candidatos ao Governo do Estado do Rio de Janeiro estiveram frente a frente no primeiro debate das eleições de 2026. O encontro, realizado pela Band, aconteceu na Casa Firjan, em Botafogo, na Zona Sul do Rio.


Participaram do debate André Marinho (Novo), Anthony Garotinho (Republicanos), Douglas Ruas (PL) e William Siri (PSOL). Eduardo Paes (PSD), chegou a confirmar presença, mas cancelou a participação.


Durante todo  encontro, os candidatos atacaram Eduardo Paes em razão de sua ausência. Os concorrentes também associaram Douglas Ruas ao ex-governador Cláudio Castro (PL) e ao ex-deputado Rodrigo Bacellar (PL), preso desde março.


O debate começou com os candidatos respondendo à mesma pergunta. Eles precisaram explicar como pretendem garantir uma gestão pautada pela integridade e pela transparência.

Garotinho disse que não pretendia disputar a eleição, mas mudou de ideia após um "clamor da população". O ex-governador relembrou a criação do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e a Delegacia Legal.

Douglas Ruas decidiu se apresentar contando a história de sua vida e sua ligação com São Gonçalo. Também destacou sua experiência na segurança e na administração pública.

Willam Siri falou sobre suas raízes no KM 32, em Nova Iguaçu. O candidato diz conhecer "na pele" os problemas do estado e prometeu "revolucionar" o Rio.


André Marinho disse ser o único candidato que "não deve nada na política" e defendeu uma transformação nos serviços públicos e privados.


Ataques a Paes


Douglas Ruas citou uma piada de cunho sexual feita por Eduardo Paes em 2016, numa tentativa de associar o ex-prefeito do Rio à falas desrespeitosas com mulheres. Ele ainda lembrou da ex-subprefeita de Jacarepaguá, Talita Galhardo, destratada em uma agenda pública. Ruas citou o aliado de Eduardo Paes e candidato ao Senado, Pedro Paulo (PSD), acusado de agredir a ex-mulher em eleições anteriores. O caso foi arquivado pela Justiça em 2016.


"Não sei se o Paes sabe, mas existe violência psicológica e que causa tanta sofrimento quanto a agressão física. Além de praticar agressões contra mulheres, ele (Paes) também se cerca de agressores. Quero dizer ao Paes que, no meu governo, agressor de mulher vai para a cadeia.", afirmou Ruas.


André Marinho lembrou que Paes descumpriu a promessa feita na última campanha, em 2024, de que não abandonaria a prefeitura para concorrer ao governo do Rio. Marinho chegou a fazer uma imitação do ex-prefeito e o chamou de fujão por não comparecer ao debate.


Já Garotinho questionou a declaração de patrimônio de Eduardo Paes. O ex-prefeito carioca declarou ter R$ 189 mil em bens, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O ex-governador também tentou vincular Paes ao BTG Pactual, pelo fato do irmão do ex-prefeito ser um dos principais sócios executivos do banco.


Segurança Pública


William Siri questionou Douglas Ruas sobre supostas relações políticas envolvendo integrantes do governo e pessoas apontadas em investigações relacionadas ao crime organizado. Ruas negou qualquer negociação com criminosos e criticou o índice de letalidade violenta.


"Muitas vezes mesmo sabendo a presença de criminosos, os policiais puxam o freio de mão. Porque se um criminoso for a óbito, eles vão ser classificados para baixo no ranking da segurança pública. (...) Precisamos devolver a liberdade econômica para as pessoas que moram nessas comunidades. Não é possível que essas pessoas não tenham garantido o seu direito de ir e vir.", afirmou.


Siri prometeu ampliar as parcerias com a Polícia Federal.


"Se nós não tivéssemos uma operação da PF, o Rodrigo Bacellar seria governador do Rio hoje. Ou seja, o Comando Vermelho estaria governando o Rio", afirmou o candidato do Psol acusando o ex-deputado de ser o representante do CV


André Marinho apresentou o projeto "sai fuzil, entra Brasil". Defendeu uma supersecretaria de Segurança Pública, o fechamento das divisas e o monitoramento das rodovias estaduais. Ele citou nomes de chefes de facções, como Doca, Naval e Peixão


"Vamos atrás de vocês e vamos prender vocês. E se vocês resistirem, vamos matar vocês.", disse o candidato do Novo.


O ex-governador Garotinho prometeu medidas inspiradas no modelo de segurança de El Salvador, comandado pelo presidente Nayib Bukele. Também afirmou que "os bandidos estão no governo".


"Tem um aqui (se referindo a Ruas), que diz que é policial mas na cidade dele ninguém pode entrar no Jardim Catarina e Salgueiro, dominado pelo tráfico. Eu ouvi da pessoa que era chefe do governo, secretário, que o gabinete organizado do crime era o Palácio Guanabara", afirmou o ex-governador


Educação


William Siri criticou os salários dos profissionais da educação. Defendeu o ensino integral e prometeu renda básica para estudantes. Também anunciou a construção de 30 Cieps em seis meses, com modelo de ensino integral, dentista e alimentação.


"Vou colocar o ensino integral nas escolas, como Brizola e Darcy Ribeiro fizeram no passado. Quatro refeições, cultura, lazer, esportes, isso funcionava antigamente. Eu vou cumprir o PCCs e uma renda básica para que esse jovem permaneça na escola. E nos primeiros seis meses, vou criar 30 escolas em tempo integral", prometeu o candidato do Psol


Douglas Ruas afirmou que sua principal proposta para a educação é implementar 200 escolas cívico-militares para melhorar as notas do estado do Rio de Janeiro no Ideb.


Saúde


Garotinho e William Siri defenderam o fim do uso de organizações Sociais (OSs). "É tudo negociado e superfaturado", atacou Garotinho.


André Marinho prometeu criar um "código vermelho da saúde". A proposta prevê integração do sistema, uso de telemedicina e ampliação da capacidade de atendimento. O candidato também defendeu mutirões para exames e procedimentos.


Ruas apresentou o Centro Integrado de Saúde, com consultas, exames e pequenas cirurgias. O candidato do PL também prometeu um Centro de Saúde da Mulher. Falou em políticas públicas para mães atípicas e equipes multiprofissionais.


Considerações finais


André Marinho afirmou estar “pronto, com a melhor equipe” para apresentar soluções para o estado e prometeu melhorar a qualidade de vida das famílias, com mais dinheiro no bolso e mais tempo de vida. O candidato do Novo também voltou ao discurso contra a corrupção.


William Siri adotou um discurso de mudança. Disse ser o único candidato que conhece “na pele” os problemas do Rio e afirmou não ter “rabo preso” com grupos políticos. “A vida está muito difícil, mas ela pode ser bem melhor e será”, declarou.


Douglas Ruas concentrou sua fala na necessidade de ampliar a atenção do governo para além da capital. O candidato do PL citou os 92 municípios fluminenses e afirmou que o estado foi governado durante muito tempo “como se fosse apenas alguns bairros da capital”.


Anthony Garotinho, por sua vez, direcionou a fala aos servidores públicos e voltou a atacar Paes. O ex-governador afirmou que policiais e professores sabem quem estaria disposto a valorizar as categorias.