Prefeitura de Duque de Caxias derruba monumento de Oscar Niemeyer para instalar torre de segurança

Segundo a prefeitura, a retirada do monumento foi necessária por causa da grande movimentação na área, onde seria instalada a estrutura de monitoramento


Por: Diego Haidar, André Coelho Costa, RJ2

Publicado em: 05/02/2026

Prefeitura de Duque de Caxias derruba monumento de Oscar Niemeyer para instalar torre de segurança.

Foto: Reprodução

Um monumento projetado por Oscar Niemeyer foi derrubado em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, para a instalação de uma torre de segurança com câmeras e tecnologia de inteligência artificial.


A obra, intitulada Movimento do Trabalhador, ficava às margens da Rodovia Washington Luís e foi construída em 2006.


Segundo a prefeitura, a retirada do monumento foi necessária por causa da grande movimentação na área, onde seria instalada a estrutura de monitoramento.


Após questionamentos, o município informou que ainda pretende instalar uma segunda torre de segurança no local, mas não esclareceu se ela poderia ser posicionada em outro ponto próximo, sem a derrubada da obra.


Em nota, a prefeitura afirmou que, antes da remoção, foi realizada uma pesquisa técnica que não identificou qualquer tipo de tombamento do monumento em âmbito federal, estadual ou municipal.


A destruição da obra gerou críticas de moradores da cidade, que registraram imagens dos escombros e manifestaram indignação nas redes sociais.


De acordo com Kadu Niemeyer, neto do arquiteto, a obra foi uma das primeiras a utilizar concreto branco, material pouco comum à época.


“Na época em que essa obra foi construída não se usava o concreto branco. Era uma coisa rara, foi um dos primeiros projetos em que se usou o concreto branco. Quando não entendemos o valor do que temos, perdemos mais do que um prédio, perdemos história e referência”, afirma o neto.


Essa não é a primeira polêmica envolvendo a Prefeitura de Duque de Caxias e obras de Niemeyer. Em 2021, a marquise do Teatro Raul Cortez, no Centro, foi fechada com tijolos, o que descaracterizou o projeto original.


Na ocasião, a prefeitura afirmou que a intervenção atendia a uma exigência do Corpo de Bombeiros e que tinha autorização do escritório de Niemeyer. O bisneto do arquiteto, Paulo Niemeyer, negou a autorização.