PF aponta que esquema ligado à Refit teria bancado despesas e imóveis usados por Cláudio Castro
Relatório cita gastos com caviar, reformas e propriedades; defesa do ex-governador nega irregularidades e afirma que relações com a empresa foram institucionais
Por: Redação
Publicado em: 04/09/2026
Um relatório da Polícia Federal aponta que um suposto esquema relacionado à Refit teria custeado despesas pessoais e imóveis utilizados pelo ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro. As informações fazem parte das investigações da Operação Sem Refino 2, que apura suspeitas envolvendo a empresa do setor de combustíveis.
Segundo a PF, entre os gastos identificados estão despesas com produtos de luxo, incluindo uma compra de caviar, além de valores relacionados a imóveis utilizados por Castro. A investigação também cita uma mansão em Petrópolis e o aluguel de uma cobertura na Barra da Tijuca.
De acordo com os investigadores, os pagamentos teriam sido realizados por meio de terceiros e de estruturas empresariais que, na avaliação da PF, poderiam ter sido utilizadas para ocultar a origem dos recursos e beneficiar o então governador.
O relatório também descreve uma relação próxima entre Castro e pessoas ligadas à Refit, empresa comandada pelo empresário Ricardo Magro. A investigação busca esclarecer se despesas pessoais e vantagens recebidas pelo ex-governador tiveram relação com interesses da companhia junto ao poder público estadual.
Investigação apura possível lavagem de dinheiro
A apuração faz parte de uma investigação autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e envolve suspeitas de crimes como lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e possíveis irregularidades relacionadas à atuação do grupo empresarial.
A Polícia Federal analisou mensagens, movimentações financeiras e outros documentos para tentar identificar a origem dos recursos utilizados nas despesas atribuídas ao ex-governador.
Entre os elementos mencionados no relatório estão também gastos de alto valor, como uma adega avaliada em cerca de R$ 249 mil e despesas relacionadas a imóveis. A PF avalia se esses pagamentos podem ter sido utilizados para ocultar patrimônio ou oferecer vantagens indevidas.
Defesa nega irregularidades
Cláudio Castro nega as acusações. A defesa afirma que os contratos relacionados aos imóveis são regulares e que não houve favorecimento à Refit durante sua gestão.
Sobre o episódio envolvendo caviar, os advogados sustentam que a compra foi autorizada por um amigo e que Castro apenas recebeu e consumiu parte dos produtos. A defesa também afirma que os contatos mantidos com representantes da empresa ocorreram no âmbito institucional e estavam relacionados a medidas legais para a cobrança de débitos.
As investigações continuam, e caberá às autoridades analisar as provas reunidas para determinar se houve efetivamente irregularidades e eventual responsabilização dos envolvidos.


