Ex-deputado TH Joias e outros quatro acusados viram réus no TJRJ

Thiego Raimundo dos Santos Silva e outras quatro pessoas são acusadas de associação ao Comando Vermelho


Por: Redação

Publicado em: 07/10/2026

Foto: Divulgação

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) tornou réus o ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias, e outras quatro pessoas acusadas de envolvimento com o Comando Vermelho (CV). A decisão, tomada por unanimidade pelo Órgão Especial da Corte, recebeu a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), que aponta a participação dos investigados em um esquema de associação para o tráfico de drogas, negociação de armas e favorecimento à facção criminosa.


Luciano Martiniano da Silva, vulgo Pezão; Gabriel Dias de Oliveira; Luiz Eduardo Cunha Gonçalves; e Fernanda Ferreira Castro, são os companheiros do ex-parlamentar na investigação. O grupo está sendo acusado de associação ao tráfico de drogas, somado com o exercício de função pública e ao uso de armas de fogo. Além disso, TH Joias também responde pelo crime de comércio ilegal de armamento de uso restrito.


De acordo com a denúncia do MPRJ, o grupo mantinha vínculos com integrantes do Comando Vermelho desde, pelo menos, outubro de 2023, e atuava no tráfico de drogas no bairro de Parada de Lucas e nos complexos da Maré e do Alemão, na Zona Norte do Rio de Janeiro, redutos da facção.


ENTENDA O CASO

As investigações apontam que o ex-deputado estadual intermediava negociações de drogas, armas e equipamentos antidrones, além de realizar pagamentos em benefício do Comando Vermelho. Segundo o MP, em junho de 2024, após deixar de ser suplente e assumir uma cadeira na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), TH Joias teria utilizado o cargo para favorecer integrantes da facção.


Conforme a denúncia, Joias indicou para ocupar cargos na Alerj, Luiz Eduardo Cunha Gonçalves e Fernanda Ferreira Castro, companheira de Gabriel Dias - apontado como responsável pela movimentação de recursos financeiros, armazenamento de drogas e negociações de armas e munições.


Luiz Eduardo é acusado de fornecer equipamentos antidrones à facção, realizar testes e orientar integrantes do grupo sobre a utilização dos dispositivos. Já Luciano Martiniano da Silva, o Pezão, que está foragido, era uma das principais lideranças da facção criminosa, e atuava no controle financeiro das atividades ilícitas.


Após o recebimento da denúncia, o Órgão Especial do TJRJ manteve as prisões preventivas, anteriormente decretadas, e determinou o desmembramento do processo em relação a Pezão. A Corte também rejeitou a alegação de litispendência e determinou o levantamento integral do sigilo da ação.


Os cinco acusados passam a responder formalmente à ação penal e poderão apresentar suas defesas ao longo do processo, mas o recebimento da denúncia não representa uma condenação, e a responsabilidade criminal dos réus ainda deverá ser julgada pela Justiça.